Contribuições dos jogos e brincadeiras indígenas no ensino de Matemática
DOI:
https://doi.org/10.14295/idonline.v20i83.4550Palavras-chave:
Ensino de matemática, Jogos, metodologias de ensino, práticas docentesResumo
Este artigo analisou a dinâmica entre o ensino da matemática e o uso de jogos indígenas como recurso pedagógico voltado à aprendizagem, considerando não apenas os contextos sociais em que essas práticas se inserem, mas também suas dimensões políticas e subjetivas. A análise se desenvolve em conformidade com a legislação que orienta uma educação antirracista, reconhecendo o papel da escola na valorização da diversidade cultural e na superação de hierarquias historicamente construídas entre saberes. Nesse sentido, o texto busca indicar as contribuições de pesquisas já existentes que associam os jogos a um melhor desempenho escolar entre as crianças, evidenciando como essas práticas podem favorecer a compreensão de conceitos matemáticos, o raciocínio lógico, a resolução de problemas e a cooperação entre os estudantes. Destaca, ainda, as estratégias que constituem um projeto pedagógico lúdico e adaptável, capaz de dialogar com diferentes faixas etárias, realidades socioculturais e níveis de aprendizagem, sem perder de vista os objetivos curriculares da matemática. Além disso, o artigo procura analisar o desenvolvimento de atividades eficazes para a aprendizagem por meio do uso dos jogos, investigando como a mediação docente, a escolha dos materiais, a organização do tempo e do espaço e a avaliação contínua podem potencializar os resultados educacionais. Considera que a experiência lúdica pode ser analisada simultaneamente sob duas perspectivas complementares: como um sucesso para a promoção da aprendizagem, na medida em que amplia o engajamento, a motivação e a construção significativa do conhecimento; e como evidência da necessidade de novas formas de práticas pedagógicas, tanto no sentido de contribuir com o entendimento do conteúdo matemático quanto no sentido da interação com outras culturas, especialmente as indígenas, cujos saberes tradicionalmente foram marginalizados nos currículos escolares. Dessa forma, o artigo sustenta que a articulação entre ensino de matemática e jogos indígenas pode resultar na construção de uma educação transformadora, comprometida com a equidade, com o respeito à diversidade e com a formação crítica dos sujeitos. As estratégias analisadas dialogam com a aprendizagem e com avanços educacionais efetivos para o ensino de matemática, indicando caminhos possíveis para práticas pedagógicas mais inclusivas, contextualizadas e sensíveis às múltiplas realidades presentes na escola contemporânea.
Downloads
Referências
AZEVEDO, Vera Lucia Antônio; YAMAMOTO, Eriko Matsui (org.). Reflexões sobre a educação matemática. Ponta Grossa, PR: Atena, 2022.
FREITAS, Dayana Lúcia Rodrigues de; PAIVA, Luciano Luan Gomes; FERNANDES, Caroline Rodrigues de Freitas (org.). Amplamente: estudos científicos. 1. ed. Natal, RN: Amplamente Cursos e Formação Continuada, 2023. v. 1.
FREITAS, Lessandro Antônio de; SILVA, Nicolly Ramalho. É possível aprender matemática por meio de jogos e de brincadeiras? Arquivo Brasileiro de Educação, Belo Horizonte, v. 10, n. 21, p. e29496, 2023. Disponível em: https://periodicos.pucminas.br/ arquivobrasileiroeducacao/article/view/29496.
GÓES, Luis Eduardo Silva; SANSÃO, Wilbert. O Lúdico e os Jogos na Aprendizagem Matemática Escolar. Revista Eletrônica de Ciências Exatas e Tecnológicas (RECET), v. 1, n. 1, 2020. Disponível em: Sumários de Revistas Brasileiras.
LOBATO, Glauber de Araujo Barroco (org.). Educação e as Relações Étnico-Raciais. Formiga (MG): Editora MultiAtual, 2021. 278 p.: il.
MENDES, J. R.; TAMAYO-OSORIO, C. Saberes e práticas matemáticas na educação (escolar) indígena. Zetetike, v. 26, n. 1, p. 1–7, 2018.
MOREIRA, Maysa de Fátima; PORTO, Marcelo Duarte; CUNHA, Hélida Ferreira da. As contribuições dos jogos para o processo de ensino-aprendizagem em matemática. Anais do IV Congresso de Ensino, Pesquisa e Extensão da Universidade Estadual de Goiás (CEPE/UEG): Como você transforma o mundo? Anápolis: Campus Anápolis de Ciências Exatas e Tecnológicas – Henrique Santillo, v. 4, 2017.
PERNAMBUCO. Tribunal de Contas de Pernambuco. Cartilha étnico-racial: orientações para a comunidade escolar. Boas práticas para implementação da educação das relações étnico-raciais. Recife: Gerência de Educação 1, 2024.
SALLES, André Mendes; SOUZA, Luiz Gustavo Mendel. Ensino de história e educação para as relações étnico-raciais: uma análise a partir das dissertações do prof história da UFPE. História, v. 43, 2024. DOI: 10.1590/1980-4369e20240035.
SANTANA, Maria Rosangela; SILVA, Braz Ribeiro; GUIMARÃES, Maria Ivone Pereira. A aprendizagem da matemática através de jogos e brincadeiras. Revista Científica Semana Acadêmica, Fortaleza, ano MMXV, n. 000074, 20/10/2015. Disponível em: https://semanaacademica.org.br/artigo/aprendizagem-da-matematica-atraves-de-jogos-e-brincadeiras.
SILVA NETO, João Ferreira da et al. Matemática, jogos e brincadeiras: Reflexões sobre atividades numa aldeia indígena. In: Educação Contemporânea – Volume 27: Prática Docente, Inclusão. 1. ed. Belo Horizonte: Poisson, 2021. v. 27, p. 138-143.
SILVA, Ana Julia Pinto da et al. Experimentação decolonial em perspectivas da pesquisa-ação pedagógica: construção de caminhos para o ensino de Matemática junto a professores da educação básica. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, Brasília, v. 106, e6494, 2025. Disponível em: http://educa.fcc.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2176-66812025000100504&lng=pt&nrm=iso.
VOLTOLINI, L.; KAIBER, C. T. Saber cultural e a matemática escolar: encontro necessário na educação escolar indígena. Zetetike, Campinas, SP, v. 26, n. 1, p. 113–132, 2018. DOI: 10.20396/zet.v26i1.8650861. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/zetetike/article/view/8650861.
VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1991.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Janderlan Janilson da Silva, Clenilsom Panta Angelim

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
Os autores detêm os direitos autorais sem restrições, devendo informar a publicação inicial nesta revista, em caso de nova publicação de algum trabalho.







