Jogos Digitais como Ferramenta Pedagógica no Desenvolvimento Cognitivo de Crianças com Deficiências Intelectuais
DOI:
https://doi.org/10.14295/idonline.v20i83.4539Palavras-chave:
Educação inclusiva, Tecnologia educacional, Mediação pedagógica, Acessibilidade, AprendizagemResumo
Esta pesquisa aborda a utilização dos jogos digitais como ferramenta pedagógica no desenvolvimento cognitivo de crianças com deficiência intelectual, considerando suas possibilidades no contexto da educação inclusiva. O estudo teve como objetivo analisar de que maneira esses recursos podem contribuir para o processo de ensino e aprendizagem, levando em consideração aspectos como participação, autonomia, motivação e desenvolvimento de diferentes habilidades. Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa e de caráter bibliográfico, realizada a partir de buscas no Google Acadêmico, na SciELO e em portais de periódicos científicos, com os descritores “jogos digitais”, “deficiência intelectual” e “educação inclusiva”. O corpus final reuniu seis estudos publicados entre 2015 e 2024, tendo como base principal os trabalhos de Carneiro e Costa (2017), Rocha, Correia e Santos (2021), Alves, Hostins e Magagnin (2021) e Zogaib e Santos (2015), ampliados pelas contribuições de Gomes Alves (2021) e Pedroso et al. (2024). A fundamentação teórica apoiou-se, ainda, em Vigotski, em documentos da legislação brasileira de inclusão e em autores da área. A análise foi interpretativa e organizada em três categorias: contribuições cognitivas, participação e autonomia, e mediação pedagógica e acessibilidade. Os resultados indicaram que os jogos digitais podem favorecer a participação dos estudantes, a motivação, a autonomia e o desenvolvimento de aspectos cognitivos, motores e visuoespaciais, além de possibilitarem experiências mais interativas de aprendizagem. Também foi identificado que a utilização desses recursos precisa considerar as características e as necessidades individuais dos alunos, sendo fundamental a atuação do professor na seleção, na adaptação e na mediação das atividades. Conclui-se que os jogos digitais apresentam possibilidades relevantes como recurso pedagógico para crianças com deficiência intelectual, desde que sejam utilizados de maneira planejada, intencional e inclusiva, não sendo a tecnologia, de forma isolada, responsável pela aprendizagem ou pelo desenvolvimento cognitivo.
Downloads
Referências
ALVES, Adriana Gomes; HOSTINS, Regina Célia Linhares; MAGAGNIN, Nicole Migliorini. Autoria de jogos digitais por crianças com e sem deficiências na sala de aula regular. Revista Brasileira de Educação Especial, v. 27, e0079, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1980-54702021v27e0079. Acesso em: 21 out. 2026.
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Brasília: MEC/SEESP, 2008.
BRASIL. Lei n. 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Brasília, DF: Presidência da República, 2015. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm. Acesso em: 21 out. 2026.
CARNEIRO, Relma Urel Carbone; COSTA, Maria Carolina Branco. Tecnologia e deficiência intelectual: práticas pedagógicas para inclusão digital. Revista on line de Política e Gestão Educacional, v. 21, n. esp. 1, p. 706-719, 2017. Disponível em: https://doi.org/10.22633/rpge.v21.n.esp1.out.2017.10449. Acesso em: 21 out. 2026.
GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002.
GOMES ALVES, Adriana. Interfaces naturais em jogos digitais para aprendizagem de matemática em estudantes com deficiência. Temática, v. 17, n. 1, p. 171-182, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.22478/ufpb.1807-8931.2021v17n01.57152. Acesso em: 21 out. 2026.
LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de metodologia científica. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2017.
MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Inclusão escolar: o que é? por quê? como fazer? São Paulo: Moderna, 2003.
PEDROSO, Fabricia Lidiane Camilo Pedroso; ALEXANDRE, Ivone Jesus; MARQUES, Edna Rodrigues; FERREIRA, Laudiane Silva de Oliveira. As contribuições dos jogos digitais no processo educativo de estudantes com deficiência intelectual. Pesquisa e Prática em Educação Inclusiva, v. 5, n. 8, e12911, 2024. Disponível em: https://www.periodicos.ufam.edu.br/index.php/educacaoInclusiva/article/view/12911. Acesso em: 21 out. 2026.
PRENSKY, Marc. Aprendizagem baseada em jogos digitais. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2012.
ROCHA, Julimar Santiago; CORREIA, Patrícia Carla da Hora; SANTOS, Jocenildes Zacarias. Jogos digitais e suas possibilidades na/para educação inclusiva. Revista Pedagógica, Chapecó, v. 23, p. 1-25, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.22196/rp.v22i0.5662. Acesso em: 21 out. 2026.
UNESCO. Declaração de Salamanca e linha de ação sobre necessidades educativas especiais. Salamanca: UNESCO, 1994.
VIGOTSKI, Lev Semionovitch. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. 7. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
VIGOTSKI, Lev Semionovitch. A defectologia e o estudo do desenvolvimento e da educação da criança anormal. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 37, n. 4, p. 861-870, 2011.
ZOGAIB, Simone Damm; SANTOS, Solange dos. Jogos digitais e aprendizagem: uma discussão sobre as possibilidades do trabalho pedagógico com crianças na Educação Infantil. Revista EDaPECI, v. 15, n. 3, p. 562-577, 2015. Disponível em: https://doi.org/10.29276/redapeci.2015.15.33783.562-577. Acesso em: 21 out. 2026.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Maria Auxiliadora de Araújo Cardoso, Raphaela Hildita de Sá Guedes Deodato

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
Os autores detêm os direitos autorais sem restrições, devendo informar a publicação inicial nesta revista, em caso de nova publicação de algum trabalho.







