Quem Cuida das Cuidadoras? Uma Análise Fenomenológico-Existencial da Experiência Feminina nas Relações Conjugais
DOI:
https://doi.org/10.14295/idonline.v20i83.4482Palavras-chave:
Identidade feminina; cuidado; gênero; casamento; sobrecarga feminina; feminismo; fenomenologia-existencial.Resumo
Este artigo tem como objetivo analisar a construção social da identidade feminina a partir das relações entre gênero, cuidado, casamento e experiências subjetivas de sobrecarga. Parte-se da compreensão de que os papéis historicamente atribuídos às mulheres foram constituídos por processos socioculturais que associaram o feminino às responsabilidades de cuidado, manutenção da vida cotidiana e dedicação ao outro, produzindo impactos nas trajetórias pessoais, familiares e profissionais. Trata-se de uma revisão integrativa de literatura, fundamentada em uma perspectiva feminista e fenomenológico-existencial, articulando contribuições de autoras e autores como Simone de Beauvoir, Michelle Perrot, Elena Gianini Belotti, Silvia Federici e bell hooks, além de estudos contemporâneos sobre trabalho doméstico, relações familiares e saúde mental feminina. A análise da literatura permitiu a organização da discussão em três eixos temáticos: (a) a construção histórica do cuidado feminino, compreendendo as heranças sociais e os processos de constituição subjetiva da mulher; (b) a mulher como cuidadora no casamento, considerando as expectativas de gênero e os padrões relacionais que sustentam a divisão desigual das responsabilidades; e (c) a sobrecarga feminina, seus impactos sobre o sofrimento subjetivo e as possibilidades terapêuticas voltadas à ressignificação das experiências femininas. Os estudos analisados evidenciam que, apesar das transformações sociais e das novas configurações das trajetórias femininas, permanecem estruturas culturais que vinculam a identidade da mulher ao cuidado, favorecendo a sobreposição de funções e a vivência de conflitos entre autonomia, desejo e expectativas sociais. Conclui-se que compreender a experiência feminina implica reconhecer tanto as determinações históricas e relacionais que atravessam o tornar-se mulher quanto os sentidos singulares construídos pelas mulheres em suas próprias trajetórias de existência.
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