Reflexões Psicanalíticas acerca da Ideologia Fascista presente nas manifestações Pós-Eleições de 2022
DOI:
https://doi.org/10.14295/idonline.v20i80.4363Palavras-chave:
Teoria psicanalítica, Fascismo, pulsão de morte, Ressentimento, Identificação, Eleição de 2022Resumo
Em que pese o fascismo, como movimento político, ter sido derrotado ao final de Segunda Grande Guerra, tomado como ideologia, é perceptível a sua emergência em contextos mais recentes, especialmente em ambientes socialmente fragmentados, onde impere desalentos, disparidades, liderança messiânica violenta e manipuladora, utilizando-se de mentiras reiteradas e propagada por meios de comunicação massivos. A teoria psicanalítica é coerente e adequada para apreender, descrever e explicar fenômenos político-sociais complexos, inclusive, em relação a eventos referentes a distintos contextos históricos daqueles em que várias de suas categorias foram elaboradas. Outros aspectos do fascismo podem ser melhor caracterizados pela Psicanálise, como é o caso da identificação e vínculos libidinais entre seu líder e os liderados, ressentimentos, pulsões de morte, inclusive com o autossacrifício, concomitante a um desejo de catarse, redenção e salvação de um suposto mal que justificaria o uso da violência. Este estudo visou, por meio de reflexões pautadas na Psicanálise, analisar a dinâmica, postura, espírito e ideologia presentes no movimento político que eclodiu nas semanas seguintes à eleição presidencial de 2022 no Brasil, e, principalmente, buscou descortinar, eventuais aspectos fascistas ali presentes.
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