Silenciamento de Masculinidades: Relato de Experiência em Ações Psicoeducativas no Contexto da Campanha do Setembro Amarelo
DOI:
https://doi.org/10.14295/idonline.v20i80.4339Palavras-chave:
Masculinidade, Setembro Amarelo, Saúde Mental, Prevenção, GêneroResumo
Os debates de gênero e formação da identidade ainda são permeados por tabus. Neste estudo teórico-reflexivo, partimos das discussões propostas pela campanha do Setembro Amarelo e pelas ações de prevenção ao suicídio e Valorização da Vida para analisar como as falas de adolescentes do sexo masculino nem sempre alcançam espaços de acolhimento e escuta qualificada e recebimento de demandas que causam sofrimentos intensos interligados a comportamentos suicidas. A problemática emerge da observação e análise da prática em contextos públicos e privados em espaços públicos e privados, por meio de palestras, rodas de conversa e atendimentos em sala reservada para escuta ativa. Nesse contexto, observou-se a procura de forma exclusiva de adolescentes do sexo feminino pelo espaço de atendimento individual, sem a presença de adolescentes do sexo masculino, elemento que suscintou reflexões acerca do silenciamento entre meninos e jovens homens. O estudo traz percepções do olhar do psicólogo acerca da vivência de adolescentes do sexo masculino, frequentemente pressionados a silenciar emoçoẽs diante de expectativas externas e conflitos internos, de dificíl identificação, que favorecem sentimentos de estresse, medo, confusão e ansiedade que de acordo com percepções construídas a partir da prática são pressionados a se calar diante de emoções causadoras de autojulgamento externo perante o meio, e as internas, geralmente dificíeis de identificar, geradoras de estresse, medo, confusão e ansiedade. Tais reflexões norteiam e articulam-se a ações desenvolvidas pelo autor enquanto psicólogo responsável pelos atendimentos individuais no contexto escolar durante a campanha do Setembro Amarelo, período em que se intensificam discussões para o enfrentamento do sofrimento emocional.
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