A Construção Histórica do Estigma sobre o Conceito de Dependência de Álcool / The Historical Construction of Stigma on the Concept of Alcohol Dependence

Aislan José Oliveira, Flávia Fernanda Ferreira de Andrade, Luiz Roberto Marquezi Ferro, Marco Aurélio Ramos de Almeida, Cristina de Fátima Ventura, Regina Fujiko Tagava

Resumo


O uso de substâncias psicoativas tal como álcool é uma prática milenar e universal que acompanha a humanidade desde seus tempos mais remotos. Ao longo da história diversas condições de saúde passaram a ser alvo de estigmas manifestos pela população geral, especialmente no que tange os transtornos mentais e o abuso de álcool. Atualmente, existem diversos estigmas direcionados ao alcoolismo. Objetivos: A presente pesquisa visou investigar, por meio de revisão integrativa, como se construiu historicamente o estigma sobre o conceito de dependência de álcool. Método: Foram utilizadas publicações científicas, datando do período de 1997 a 2017 consultadas nas bases de dados Scielo, Pepsic, LILACS, Portal de periódicos CAPES e BVS, utilizando os descritores estigma social, dependência de álcool e alcoolismo de acordo com o grau de relevância destes diante da temática principal e/ou dos subtemas relacionados. Resultados: Ao final da pesquisa, foram selecionados 24 artigos, 7 livros, 3 capítulos de livros, 3 dissertações de mestrado e 4 teses de doutorado. Discussão: Verificou-se que ao longo da história, os problemas decorrentes do uso de álcool foram interpretados pela sociedade como comportamentos desviantes, fazendo com que as concepções de dependência de álcool e por consequência do estigma sobre o dependente de álcool caminhassem em paralelo, acarretando consequências negativas para a vida do sujeito dependente. Conclusão: Para que seja possível o enfrentamento do estigma é necessário que se tenha entendimento sobre o mesmo, portanto, compreender como se construiu o estigma sobre o alcoolista e/ou alcoolismo auxilia na ampliação do entendimento de porque o dependente é visto como “fraco” “degenerado” “mau caráter”, dentre outros adjetivos, desviando este mesmo entendimento do conceito de doença conforme literatura especializada.


Palavras-chave


Estigma Social; Desenvolvimento; Dependência de Álcool.

Texto completo:

PDF

Referências


REFERÊNCIAS

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. DSM-V: Manual diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. (pp. 491-497), 5º edição. Porto Alegre: Artmed, 2014.

DEUTERONÔMIO. In: Bíblia Sagrada. Português. Tradução de Frei João José Pereira de Castro. (pp. 231). São Paulo, SP: Ave-Maria, 2003.

PROVÉRBIOS. In: Bíblia Sagrada. Português. Tradução de Frei João José Pereira de Castro. (pp. 805-806). São Paulo, SP: Editora Ave-Maria, 2003.

I CORÍNTIOS. In: Bíblia Sagrada. Português. Tradução de Frei João José Pereira de Castro. (pp. 1470). São Paulo, SP: Ave-Maria, 2003.

TIMÓTEO. In: Bíblia Sagrada. Português. Tradução de Frei João José Pereira de Castro. (pp. 1520). São Paulo, SP: Ave-Maria, 2003.

CALDAS, M. T. O tratamento do alcoolismo no Brasil (1ª parte). Interlocuções, (1), 28-39, 2001.

CAMPOS, E. A. As representações sobre o alcoolismo em uma associação de ex-bebedores: os Alcoólicos Anônimos. Cadernos de Saúde Pública, 1379-1387, 2004.

CENTRO DE INFORMAÇÕES SOBRE SAÚDE E ÁLCOOL – CISA. O estigma na dependência do uso de álcool, 2017.

CESAR, B. A. L. O beber feminino: A marca social do gênero feminino no alcoolismo em mulheres (Dissertação de Mestrado). Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca - Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, RJ, 2005.

CORDEIRO, D. C. Dependência química: conceituação e modelos teóricos. In: Zanelato, N. A., Laranjeira, R. (org.). O tratamento da dependência química e as terapias cognitivo-comportamentais: um guia para terapeutas. (pp. 25-32). Porto Alegre, RS: Artmed, 2013.

DA SILVEIRA, P. S., MARTINS, L. F., SOARES, R. G., GOMIDE, H. P., & RONZANI, T. M. Revisão sistemática de literatura sobre estigma social e alcoolismo. Estudos de Psicologia, 16(2), 131-138, 2011.

DOVIDIO, J. F., MAJOR, B., & CROCKER, J. Stigma: introduction and overview. In: Heatherton, T. F., Kleck, R. E., Hebl, M. R., & Hull, J. G. The social psychology of stigma. (pp. 01-28). New York: The Guilford Press, 2000.

EDWARDS, G., & GROSS, M. M. Alcohol dependence: provisional description of a clinical syndrome. British medical journal, 1(1), 1058-1061, 1976.

FARRIS, J. (2014). Análise teológica da dependência, do alcoolismo e da recuperação. Rev. Pistis Prax., Teol. Pastor., 6(1), 145-165, 2014.

FIORI, M. Uso de drogas: controvérsias médicas e debate público. Campinas, SP: Mercado das Letras/Fapesp, 2007.

FRANCO, M. L. P. B. Representações sociais, ideologia e desenvolvimento da consciência. Cadernos de pesquisa, 34(121) 169- 186, 2004.

GARRIDO, P. B., PAIVA, V., NASCIMENTO, V. L. V., SOUSA, J. B., & SANTOS, N. J. S. Aids, estigma e desemprego: implicações para os serviços de saúde. Revista de Saúde Pública, 41(2), 72-79, 2007.

GOFFMAN, E. Estigma - notas sobre a manipulação da identidade deteriorada. (4ª Ed). Rio de Janeiro, RJ: LTC, 2004.

JACOBY A. Felt versus enacted stigma: a concept revisited. Evidence from a study of people with epilepsy in remission. Social Science & Medicine, 38(2), 269-274, 1999.

LIMA-RODRÍGUEZ, J. S., GERRA-MARTÍN, M. D., DOMINGUEZ-SANCHEZ, I., & LIMA-SERRANO, M. Resposta da pessoa doente alcoólatra frente à sua doença: perspectivas de pacientes e familiares. Revista Latino-Americana de Enfermagem, 23(6), 1165-1172, 2015.

MARQUES, A. C. P. R. O uso de álcool e a evolução do conceito de dependência e de outras drogas e tratamento. Revista IMESC (3), 73-86, 2001.

MASCARENHAS, E. Alcoolismo, drogas e grupos anônimos de mútua ajuda. São Paulo, p. 138, 1990.

MATOS, M. I. Meu lar é o botequim: alcoolismo e masculinidade. São Paulo, SP: Companhia Editora Nacional, 2000.

MOTA, L. A. Pecado, crime ou doença? Representações sociais da dependência química. (Tese de Doutorado). Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, CE, 2008.

NEVES, D. P. Alcoolismo: Acusação ou diagnóstico? Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 20(1), 7-36, 2004.

OCCHINI, M. F., & TEIXEIRA, M. G. Atendimento a pacientes dependentes de drogas: atuação conjunta do psicólogo e do psiquiatra. Estudos de Psicologia, 11(2), 229-236, 2006.

OLIVEIRA, A. J. Concepções de tratamento e de dependente de substâncias psicoativas para profissionais de saúde mental. (Dissertação de Mestrado). Universidade Tuiuti do Paraná, Curitiba, PR, 2013.

PADILHA, G. S. Um estudo sobre as expectativas e crenças pessoais acerca do álcool entre os universitários. (Monografia). Universidade do Vale do Itajaí, Itajaí, SC, 2008.

PRATTA, E. M. M., & SANTOS, M. A. O processo saúde-doença e a dependência química: Interfaces e evolução. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 25(2), 203-211, 2009.

REZENDE, M. M. Tratamento de dependentes de drogas: Diálogos com profissionais da área de saúde mental. (Tese de Doutorado). Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, SP, 1999.

RIBEIRO, M., & LARANJEIRA, R. Evolução do conceito de dependência, 2016.

RODRIGUES, T. Narcotráfico: uma guerra na guerra. (7ª edição). São Paulo, SP: Desatino, 2003.

RONZANI, T. M., & FURTADO, E. F. Estigma social sobre o uso de álcool. Jornal brasileiro de psiquiatria, 59(4), 326-332, 2010.

ROZANI, T. M., NOTO, A. R., & Silveira, P. S. Reduzindo o estigma entre usuários de drogas: guia para profissionais e gestores. Juiz de Fora, MG: UFJF, 2014.

SAAD, A. C. O discurso da droga e a droga na história de pacientes em tratamentos no Brasil e nos Estados Unidos. (Tese de Doutorado). Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, 1998.

SCHINEIDEr, D. R., & LIMA, D. S. Implicações dos modelos de atenção à dependência de álcool e outras drogas na rede básica em saúde. Revista Psico, Porto Alegre, PUCRS, 42(2), 168-178, 2011.

SCHNEIDER, D. R. Horizonte de racionalidade acerca da dependência de drogas nos serviços de saúde: implicações para o tratamento. Ciência & Saúde Coletiva, 15(3), 687-698, 2010.

SOUZA, L. G. S., MENANDRO, M. C. S., & MENANDRO, P. R. M. Polifasia cognitiva nas representações sociais do alcoolismo. Psicologia e Saber Social, 4(2), 224-245, 2015, 2010.

SOUZA, L. G. S., MENANDRO, M. C. S., & TRINDADE, Z. A. Representações sociais do alcoolismo construídas por não-alcoolistas. Revista de Ciências Humanas, 49(1), 49-68, 2015.

VARGAS, D. A construção de uma escala de atitudes frente ao álcool, ao alcoolismo e ao alcoolista: um estudo psicométrico. (Tese de Doutorado). Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, SP, 2005.

VELHO, G. Drogas e Construção Social da Realidade. In: Baptista, M., Inen, C. (orgs). Toxicomanias, abordagem multidisciplinar. NEPAD/UERJ, Rio de Janeiro, RJ: Sette letras, 1997.

WEBSTER, C. M. C. O discurso proibicionista e as práticas no campo de álcool e outras drogas. Revista Eletrônica Saúde Mental Álcool e Drogas, 12(1), 1-2, 2016.




DOI: https://doi.org/10.14295/idonline.v13i44.1612

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


A Id on Line (ISSN: 1981-1179) é indexada nas seguintes bases de dados: