Dependências de Substâncias Psicoativas: Um Estudo sobre a Representação Social do Dependente e do Tratamento / Dependencies of Psychoactive Substances: A Study on the Social Representation of Dependent and Treatment

Aislan José Oliveira, Luiz Roberto Marquezi Ferro, Diego Gantes Rosa, Manuel Morgado Rezende, Adriano Luís Alves Watanabe

Resumo


Introdução: A busca de entendimento sobre os processos da saúde e do adoecer é uma história de construções de significados sobre a natureza, as funções e a estrutura do corpo e ainda sobre as relações corpo-espírito e pessoa-ambiente. Essas significações têm sido “transformadas” ao longo dos tempos, constituindo diferentes representações na cultura, bem como aspectos sociais, políticos, religiosos e científicos dentre outros. Objetivos: O presente trabalho visa uma revisão histórica da literatura objetivando entender inicialmente como se construiu  a representação social do dependente químico e posteriormente como isso influencia na propostas de intervenções no âmbito do tratamento. Método: Trata-se de uma pesquisa qualitativa, descritiva, exploratória e de revisão bibliográfica. Foram consultadas as bases de dados: Scielo, Pepsic, LILACS e BVS considerando publicações que abordassem de forma os objetivos desta pesquisa. Resultados: Foram selecionados 27 referências bibliográficas que ajudaram a responder aos objetivos desta pesquisa. Discussão: Foi possível perceber que a forma de pensar e entender a origem e evolução das dependências de substâncias psicoativas transitam entre as esferas biológica, psicológica e social até uma origem pecaminosa e de criminalidade e que historicamente duas áreas disputam a hegemonia no campo das dependências de substâncias psicoativas: a Medicina e a justiça.  Conclusões: O entendimento sobre das intervenções  a dependência de substâncias psicoativas no Brasil inicialmente não foram entendidas como problema de saúde e sim como um problema de segurança pública e tiveram por muitas décadas todas suas estratégias de ação voltadas a esse foco, sendo então carregadas e permeadas de interpretações morais, legais e posteriormente médicas, sugerindo as origens de algumas incoerências encontradas nas políticas públicas do tema na atualidade.


Palavras-chave


Dependência Química, Representação Social, Saúde/Doença, Intervenção, Tratamento.

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DOI: https://doi.org/10.14295/idonline.v13i44.1606

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